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Notícias 2004 PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

O Dr. Emílio Peres considera que são 13 as regras de ouro da alimentação saudável:
1. tomar sempre um verdadeiro pequeno almoço, completo, variado equilibrado;

2. comer a intervalos máximos de 3 horas e meia (pequeno almoço, merenda da manhã, almoço, lanche, jantar e eventualmente ceia, para evitar que se esteja mais de 10 horas sem comer), e, em consequência, reduzir a quantidade de comida dos almoços e jantares;

3. comer com calma, num ambiente agradável e repousante, mastigando e ensalivando bem os alimentos;

4. usar e abusar de hortaliças, legumes e frutas;

macaverde

5. utilizar leite ou os seus substitutos nas quantidades ajustadas;

6. limitar o uso de bebidas alcoólicas a quantidades modestas, às refeições (crianças, adolescentes, grávidas e aleitantes nem assim);

7. restringir o uso de gordura, tanto as dos próprios alimentos (carnes, salsicharia, óleos) como as resultantes do modo de confeccionar (frigir, refogar) e atenção ao sobreaquecimento dos polinsaturados!!!

8. reduzir o gasto de sal na cozinha e rejeitar produtos salgados;

9. consumir boas quantidades de farinácceos, pão especialmente (e quanto menos espoado melhor), fornecedores de energia, em alternativa às gorduras;

10. reduzir o uso de açúcar (sumos e pastelaria);

11. comer refeições de acordo com a Roda dos Alimentos: com alimentos de todos os grupos, equilibradas e variadas;

12. consumir apenas a quantidade necessária de comida, nem mais nem menos;

13. beber água, tisanas ou outras bebidas sem minerais e sem calorias, em boas quantidades.

E falta acrescentar uma décima quarta regra:

14. tomar atenção à qualidade dos produtos alimentares que se consome.

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A obesidade, doença que afecta seis em cada dez portugueses, custa ao estado cerca de 350 milhões de euros/ano.

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De acordo com estudos, medicamento utilizado para perda de peso reduz risco de diabetes tipo 2.

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A obesidade é interpretada actualmente, pelos organismos ligados ao assunto, como um factor de risco para a saúde pública.

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Muito se tem falado de obesidade nos últimos tempos, muitos eventos tem levado ao conhecimento público as razões porque é considerada doença e as doenças que normalmente lhe estão associadas, falou-se ainda nos custos que o não tratamento desta doença acarretam para o estado não só na comparticipação no tratamento das doenças acessórias como nos tempos de improductividade, baixas e internamentos que um obeso provoca. Os custos são de tal forma elevados que os EUA, baluarte do Fast Food, foram obrigados a reconhecer a Obesidade como doença e a dar indicações de comparticipação e apoio aos tratamentos ou intervenções que produzam resultados efectivos de perda de peso no obeso.

O governo pareceu-nos sensibilizado com o problema e com vontade de o tentar resolver, contudo, o programa nacional de luta contra a obesidade que já devia estar pronto desde Janeiro não passa ainda dum documento em fase de elaboração, não se vislumbrando tempos para aprovação e muito menos para implementação. Num momento em que se fala em poupança a nível governamental nada se vê para reduzir os cerca de 350 milhões de euros/ano que custa o não tratamento da obesidade no nosso país. É pois um assunto grave não só de saúde mas também de economia nacional que não pode esperar mais e que exige que o programa seja aprovado e posto em produção no mais curto espaço de tempo possível. Não podemos esquecer que 6 em cada 10 portugueses tem excesso de peso e que se nada se fizer agora, se não houver um investimento já no tratamento da obesidade podemos até 2025 aumentar os custos nacionais da obesidade para os 750 milhões de euros. Assim apenas temos uma conclusão ou se tomam medidas concretas para apoio, tratamento e sensibilização da nossa juventude ou teremos a curto prazo a falência técnica e financeira da saúde pública.

No dia 3 de Novembro de 2004, pelas 18:00 horas no Forum da FNAC da Rua de Sta Catarina no Porto, teve lugar uma conferencia relacionada com o tema do filme Super Size Me, com a participação das Professoras Isabel do Carmo e Helena Fonseca.

A ADEXO esteve representada por Inês Diniz.

Estudo inédito no Porto vai seguir 2200 adolescentes até a idade adulta

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Estamos a falar de um problema que afecta mais de 5 milhões de portugueses, por isso nao podemos pôr as culpas apenas no indivíduo...

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Catarina Gomes - Jornal Público

Os doentes obesos vêem a operação de colocação de banda gástrica como "a luz no fim do túnel" depois de uma vida inteira a tentar perder peso. Mas as listas de espera para a cirurgia podem chegar aos cinco anos, refere a psicóloga Isabel Silva, que ontem apresentou o estudo "Qualidade de vida e apoio social em doentes com obesidade" no 5º Congresso Nacional de Psicologia da Saúde em Lisboa.

A opção por esta cirurgia "já é o último recurso". Depois de tentativas de perder peso que começam na infância, que incluíam mesmo métodos violentos, quando se candidatam à cirurgia muitos doentes já não têm vida laboral e social, "vivem fechados em casa" afirma a psicóloga.

Quando percebem que as listas de espera são "assustadoras", a sua "ansiedade" aumenta, "afecta-os brutalmente". Isabel Silva dá o exemplo do Hospital de São João no Porto, que por ter sido o primeiro a ter esta operação (em 1996) tem uma espera de cinco anos mas o cenário a nível nacional não é muito mais animador.

A obesidade está a aumentar e a procura é muito grande, diz. Até porque "as taxas de insucesso dos tratamentos tradicionais são muito grandes". Muitos fármacos saíram do mercado
porque "tem efeitos secundários graves."

A pouca medicação que existe tem a perda de peso como efeito secundário mas destina-se a outros fins, como anti-depressivos ou medicação contra epilepsia, nota.
A técnica desengana, contudo os que vêem na operação a solução para o seu problema. Impõe-se apoio psicológico no pré e pós-operatório - os próprios critérios de selecção também são de ordem psicológica (como a capacidade de aderir as recomendações).

São precisas muitas "adaptações ao estilo de vida" porque o estômago perde volume o doente passa a ter que comer muito menos, em pequenas porções e muito bem mastigadas, caso contrario vomita, junta a psicóloga.

Para Pais Ribeiro, presidente da Sociedade Portuguesa de Psicologia da Saúde, o caso dos obesos é um dos exemplos que demonstra a necessidade de apoio psicológico na saúde, mesmo em contexto de cortes, porque acaba por reverter em poupança para o Sistema Nacional de Saúde, defende.

Se uma pessoa que teve um enfarte e precisa mudar de estilo de vida (deixar de fumar) tiver apoio nessa modificação, a recuperação deverá ser mais bem sucedida. "Genericamente, as pessoas na saúde estão sensibilizadas, é uma questão económica."
Em termos de gastos pensa-se na opção "entre salvar uma vida e um psicólogo", diz. Mas se não se morre por falta de apoio psicológico, as intervenções de saúde podem tornar-se ineficazes se ele não tiver lugar, reforça.

Isaltina Padrão (Fonte - Diário de Notícias)

Em Portugal, foram colocadas até hoje, mais de duas mil bandas gástricas - uma das três técnicas de combate à obesidade mórbida, e, em muitos casos a única forma de salvar vidas. Isto porque, em situações extremas, o excesso de gordura pode conduzir à morte. As longas listas de espera são mesmo o inimigo numero um dos cerca de 380 mil portugueses superobesos, aos quais, salvo contra-indicação medica, poderia ser feita cirurgia restritiva pura, definitiva.

Só no hospital de Santo António do Porto - pioneiro na aplicação da técnica em Portugal, em 1996 - existem 300 doentes à espera da operação. Espera essa , que segundo o presidente da Sociedade Portuguesa de Cirurgia de Obesidade (SPCO), António Sérgio, "nunca é inferior a dois anos e, em alguns casos pode ir até quatro ou cinco. É um verdadeiro desespero paro o doente e para o medico." desabafa António Sérgio, o "pai" da banda gástrica no nosso país. Aquele responsável pelo alerta para o facto de "à medida que o tempo passa, irem surgindo mais doenças associadas à obesidade que tornam a pessoa cada vez mais debilitada". No Hospital Egas Moniz, em Lisboa - a segunda unidade hospitalar do país a colocar bandas gástricas e a primeira da zona sul - o cenário também está longe de ser o ideal. A operar há seis anos, este hospital, já realizou uma centena de gastrobandoplastrias. Neste momento, tem 50 doentes com obesidade mórbida à espera de intervenção cirúrgica e 400 em estudo, "Temos uma equipa multidisciplinar, composta por três endocrinologistas, uma psicóloga e um dietista, que faz a avaliação do doente e dá, ou não, o OK para a cirurgia", explicou ao DN Clotilde Limbert, uma das três endocrinologistas, frisando que "a maioria dos doentes encontra-se apta". Nesta unidade hospitalar o tempo de espera, que já foi de dois anos, é actualmente de um. É assim desde há dois meses, altura em que a cirurgia bariátrica passou a contar com quatro cirurgiões.

COMPARTICIPAÇÃO

A cirurgia de colocação de banda gástrica custa entre oito a dez mil euros no privado e fica a volta de seis mil euros para o Serviço Nacional de Saúde (SNS). O problema que se coloca é ao nível da comparticipação, que no privado abrange unicamente a cirurgia, ficando o pré-operatório e a reconstrução por conta do doente. A grande luta da Associação de Doentes Obesos e Ex-Obesos de Portugal (ADEXO) é fazer com que a comparticipação abranja também estes dos aspectos. "Estamos perante um processo que não pode parar no emagrecimento. A cirurgia reconstrutiva faz parte do tratamento e não pode deixar de ser comparticipada apenas porque, para alguns, esta não passa de uma cirurgia estética", refere em declarações ao DN, Carlos Oliveira, responsável pela delegação Sul da ADEXO, ele próprio um ex-obeso portador de banda gástrica. O presidente da SPCO não poderia estar mais de acordo. António Sérgio, que conta no seu currículo com 660 cirurgias de colocação da banda, garante que "todo o excesso de pele tem de ser retirado não só para melhorar a imagem do doente mas também para evitar futuras complicações, como sejam as infecções ao nível de pele".

PSICOLOGIA

Relativamente à imagem, Isabel Silva, psicóloga clínica na área da obesidade, diz que, regra geral, apesar do "avental de pele" resultante da extracção de massa gorda, os doentes reagem muito bem. "Geralmente a mudança de imagem é um choque mas do ponto de vista positivo", refere, salientando que o papel do psicólogo é fundamental mas a outros níveis. "Não se pode pensar que a banda é milagrosa. Tem de haver um compromisso do doente no pós-operatório para que a adaptação ao novo estilo de vida e às alterações alimentares seja um processo natural.", explica a psicóloga, adiantando que "isso passa muito pelo foro psicológico". Segundo Isabel Silva, outra vertente onde a intervenção do psicólogo é fundamental é no caso dos doentes que sofrem de bulimia nervosa. Para a directora de Serviço de Endocrinologia do Hospital Egas Moniz, Liliana Guerreiro, se o doente não for bem acompanhado do princípio ao fim "o processo pode estar condenado ao fracasso".

INTERVENÇÃO PROIBIDA NAS CRIANÇAS

"Nas crianças até 11 anos, a colocação de banda gástrica está absolutamente fora de questão. Isto porque as restrições alimentares que lhes estão inerentes podem comprometer o crescimento." A afirmação é de Carla Rego, pediatra na área da nutrição, no Hospital de São João no Porto. Por outro lado, diz, "a banda gástrica obriga uma certa maturidade para controlar a ingestão alimentar que não é possível nas idades mais jovens". Apesar de as recomendações a nível europeu "proibirem" a colocação da banda antes dos 18 anos, segundo aquela especialista é possível ponderar a intervenção cirúrgica na adolescência. Isto "desde que seja provada a maturidade biológica (término do crescimento esquelético e puberdade) e exista estabilidade emocional." Mas há uma excepção. Ao DN Carla Rego explica qual: "Mesmo que a maturidade biológica não tenha sido atingida, e desde que haja comprovada maturidade emocional, poderá ser ponderada a colocação da banda no caso de existirem doenças na dependência da situação da obesidade (alteração das gorduras do sangue, hipertensão arterial, diabetes e apneia do sono)". Nestes casos justifica-se a intervenção cirúrgica, por forma a salvaguardar a vida do adolescente. A pediatra salienta que, à semelhança do que acontece com os adultos, os adolescentes que são submetidos a esta operação devem ter acompanhamento psicológico.

RESTRIÇÕES

Embora haja excepções, antes de ser indicada a cirurgia, o doente deverá ter realizado várias tentativas de redução de peso devidamente orientadas pelo médico, sem sucesso. Não ter patologias severas que condicionem o acto cirúrgico, possuir um índice de massa corporal (IMC) superior a 40kg/m2, ter um IMC entre 35 e 40kg/m2, se já tiver patologias associadas dependentes da sua obesidade. Algumas patologias do foro psiquiátrico podem ser uma contra-indicação para a cirurgia se não estiverem devidamente controladas. Nestes casos, para fazer a operação é necessária a concordância do médico psiquiatra que acompanha o doente. Não podem colocar bandas em pessoas com doenças imunológicas e inflamatórias do tubo digestivo, consumidores de álcool e drogas. Portadores de doenças hepáticas (cirrose), doentes incapazes de cumprir as normas que vão ser impostas. Nos comedores de doces e nas pessoas que passam a vida a debicar ( os chamados comedores de snaks) a colocação da banda está "condenada ao fracasso. Tudo o que é açúcar e sal não é filtrado e acaba por engordar, ficando a banda sem efeito.", explica ao DN o presidente da Sociedade Portuguesa de Cirurgia da Obesidade.

De acordo com os especialistas, a obesidade tornar-se-á em breve na primeira causa de doença crónica em todo o mundo. Por cá, já afecta 15 a 20 por cento da população.

PATRÍCIA GASPAR E SILVA

A obesidade é uma doença que se caracteriza pela acumulação excessiva de gordura corporal. Este excesso de gordura ocorre, na maioria dos casos, devido a um desequilíbrio, uma vez que o peso corporal e a distribuição de gordura são regulados por uma série de mecanismos neurológicoss, metabólicos e hormonais, responsáveis por manter o equilíbrio entre a ingestão de nutrientes e os gastos energéticos. Acontece que havendo um desequilíbrio destes mecanismos, ou seja, quando à ingestão de calorias é maior do que o gasto energético, as energias são armazenadas sob a forma de gordura, e isso acaba por dar origem ao excesso de peso, João Breda, Técnico Superior de Saúde da Direcção-Geral de Saúde, na área de nutrição autor de vários livros sobre nutrição.

Embora estejamos numa fase em que as formas ideais são mais "arredondadas", situação em nada semelhante ao que se verificava há cerca de cinco aros, a preocupação com a estética e com a boa forma é comum à maioria das pessoas, e começa ainda na infância comas crianças a quererem imitar os ídolos que têm corpos perfeitos.
Mas o excesso de peso e a obesidade não são problemas recentes, muito pelo contrário. Os problemas de excesso de peso resultam das alterações alimentares que se verificaram ao longo dos últimos trinta anos. "Nos últimos anos começámos a substituir as refeições caseiras e a saudável alimentação da zona do Mediterrâneo, pela comida de cafetaria e pela fast-food. Para piorar a situação, poucos são os que praticam exercício físico regularmente", salienta João Breda.

As consequências são inevitáveis e estão à vista: quase 50% da população portuguesa tem excesso de peso, e destes entre 15 e 20 por cento são obesos. F embora muitos insistam em ver a obesidade apenas como problema estético, a verdade é que esta doença crónica é muito mais do que isso. Além do desconforto que pode provocar ao doente, está associada a doenças debilitantes, progressivas e com risco relativo de aumento da mortalidade quando o IMC é igual ou superior a 30.

A obesidade mórbida é uma doença grave e perigosa, que se caracteriza pela acumulação excessiva de massa gorda no corpo, que provoca alterações e lesões nas órgãos, isto, por sua vez, origina complicações de saúde graves e coloca a vida do obeso em risco.

E considerado super-obeso o indivíduo que tem cerca de 45 kg acima do peso considerado ideal. o que se traduz num IMC: acima dos 40.

Tal como acontece com os outros tipos de obesidade, também esta pode ser de origem genética, consequência de má alimentação e falta de exercício físico ou. pode estar associada a causas orgânicas, como distúrbios hormonais e compulsão alimentar por bulimia.

O ÍNICIO DO PROBLEMA - O excesso de peso e a obesidade não são problemas exclusivos doa adultos. Aliás, há cada vez mais crianças com excesso de peso e isso é, óbviamente, uma consequência dos estilos de vida adoptados pelas famílias.

De acordo com João Breda, "a obesidade é mais comum numas famílias do que noutras, por isso fala-se em predisposição genética. É evidente que a componente genética tem o seu peso, mas não podemos esquecer que à partida uma família em que ambos os progenitores são obesos pratica uma má alimentação e vai ser transmitido aos filhos. Por isso, quando ambos os progenitores são obesos, há 80% de hipóteses de os filhos serem Iguais. Se apenas um dos progenitores é obeso, as probabilidades descem para os 40%, e se ambos os progenitores forem magros, a tendência para ter filhos obesos é muito menor, porque à partida são pessoas com bons hábitos alimentares e que praticam exercício físico".

O que vemos acontecer actualmente é muito diferente do que acontecia há uma década. Para além de haver um mercado cada vez maior de produtos alimentares altamente çalóricos e com um público-alvo infantil, as crianças não saem de casa, têm urna vida sedentária em tudo semelhante à dos adultos. As brincadeiras com os amigos foram substituídas por jogos de computador e os pais preferem a segurança do sofá aos jogos no parque.

Em consequência disto, os estudos indicam que cerca de 1/3 das crianças obesas em idade pré-escolar vão tomar-se adultos obesos e metade das crianças entre os 6 e os 10 anos serão, de certeza, adultos com excesso de peso. Mas consequências que advêm da obesidade variam consoante a idade do indivíduo afectado. Um indivíduo que tem excesso de peso na infância está muito mais propenso a problemas de saúde do que um que engordou nos últimos anos.

"Um obeso é um indivíduo quase sempre doente porque está maus susceptível de sofrer outras doenças. O risco de sofrer de doenças cardiovasculares, cancros, diabetes, lipidemias, problemas de ossos ou depressões é muito maior" refere o especialista em nutrição que acrescenta "a morte prematura é, evidentemente, outra consequência desta doença crónica."

Na obesidade infantil a principal consequência é de ordem psico-social. Está comprovado que as crianças e os adolescentes obeses estão em risco, tanto ao nível do comportamento social, uma vez que a sociedade segue conceitos de beleza em que os corpos têm que ser magros e atléticos e a aparência é muito valorizada. Os aspectos de auto-estima acabam por ser responsáveis por problemas psicológicos e os primeiros sintomas reflectem-se através da depressão.

TRATAMENTOS - Antes de iniciar um tratamento é fundamental saber se o que está na origem do aumento de peso é uma causa genética, alimentar ou orgânica. Para isso, é indispensável a consulta de um especialista que vai conversar com o paciente e realizar exames variados.

Os tratamentos vão variar sempre de pessoa para pessoa. Mais do que nunca aplica-se a máxima "cada caso é um caso". Mesmo que estejamos perante dois casos de obesidade mórbida, os tratamentos vão ser adequados às carências de cada um e ao próprio estilo de vida. Por outro lado, os tratamentos para excesso de peso são muito distintos dos que destinam a combater a obesidade.

Para os casos em que o doente ainda não atingiu um estado de super-obesidade, existem varias alternativas terapêuticas que podem ser combinadas e permitem a perda significativa de peso, no entanto, essas mesmas medidas nem sempre funcionam com a obesidade mórbida.

Seja como for, João Breda salienta os pontos fundamentais de combate aos quilos em excesso, "moderar a alimentação, fazer várias refeições por dia, comer pequenas quantidades, incluir alimentos saudáveis e nutritivos, beber muita água e evitar comida pesada à noite. Isto, naturalmente associado a actividade física. Este é o ponto de partida para perder peso, depois há tratamentos complementares que dependem de cada caso."

Dietas de baixas calorias, psicoterapia comportamental, exercício físico e alguns medicamentos, têm sido fortes aliados de obesos e médicos, mas não são suficientes com os super-obesos. Isto acontece porque muitos destes doentes não conseguem promover uma mudança definitiva nos seus hábitos alimentares e na prática de uma actividade física. É muito vulgar que estes indivíduos consigam perder peso em determinada fase e que acabem por recuperá-lo pouco tempo depois, superando inclusive o peso inicial. Tendo em conta estas dificuldades, na maioria dos casos é necessária a intervenção cirúrgica, que é o único método cientificamente comprovado que ajuda os doentes de obesidade mórbida na perda de peso de forma acentuada e duradoura, porque restringe a ingestão e absorção de alimentos ingeridos definitivamente, e consiste na colocação de uma banda gástrica. A esta intervenção é dado o nome de cirurgia bariátrica.

Esta cirurgia é, segundo o nutricionista "a solução de último recurso e para os casos realmente complicados". O problema é que, tal como acontece com todas as cirurgias, estas também estão com listas de espera bastante longas e os doentes têm que esperar pela cirurgia durante vários anos. Sendo esta uma doença de grande gravidade em que a vida do doente está em risco, muitos acabam por fazer a cirurgia por sua conta. No entanto, o nutricionista João Breda mantém a confiança: "tanto os profissionais de saúde como as autoridades competentes têm vindo a esforçar-se no sentido de diminuir o tempo de espera dos doentes que sofrem de obesidade mórbida, mas nem sempre é fácil."

Especialista diz que 15% da população portuguesa adulta é obesa...

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Doença afecta 3 milhões de portugueses mas não tem tratamento comparticipado...

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Reconhecer a obesidade como a epidemia do século e apelar a directivas precisas para considerá-la como doença com tratamento prioritário...

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Artur Machado - Jornal de Notícias.

Os dados do estudo sobre a prevalência da obesidade infantil não podiam ser mais preocupantes: 88% das crianças portuguesas fazem uma ingestão insuficiente de fibras presentes nas frutas e nos produtos hortícolas (sintoma de carência de legumes no prato e na sopa e de frutas à sobremesa); 97% ingerem açúcares a mais (abuso de bebidas açucaradas); 45 a 50 % ingerem mais colesterol do que o desejável; 20 a 26% têm carência de vitamina C, devido à falta de fruta fresca; e 44% das raparigas e 39% dos rapazes ingerem insuficiente quantidade de cálcio (presente no leite e derivados). Este excesso de gorduras e de açúcares e o aprovisionamento "muito insuficiente" de fibras, vitamina C e cálcio representa um risco muito severo para a saúde infantil, adverte Pedro Moreira, docente da Faculdade de Ciências da Nutrição da Universidade do Porto, avisando especialmente para as doenças cardiovasculares. Há já provas anatómicas (verificadas em autópsias) de formação de placa arterosclerótica (entupimento das artérias) em rapazes a partir da puberdade e nas raparigas um pouco após esta fase de desenvolvimento, fenómeno que se verifica geralmente nos adultos na quarta década de vida.

Em Maio passado, a opinião pública e os meios da saúde britânicos ficaram chocados com a notícia da morte, em Londres, de uma criança de 3 anos, devido a insuficiência cardíaca causada pela obesidade. Esta pesava 38 quilogramas, quando deveria pesar 14,5. Fenómeno crescente na Europa e nos Estados Unidos, a obesidade é uma das preocupações da Organização Mundial de Saúde.

De pequenino se aprende a comer

Muitas crianças saem de casa muito cedo, ás vezes sem a primeira refeição do dia, e alimentam-se mal.
Alguns conselhos,

• Pequeno-almoço
O pequeno-almoço; a que não devem faltar o leite e cereais (atenção ao pão .escuro), é refeição obrigatória.

• Merendas
A merenda a meio da manhã e da tarde continua muito válida, sobretudo para as crianças que se levantam cedo. intervalo entre refeições recomendável: 3,5 horas.

• Cálcio do leite
As bebidas açucaradas disputam as ricas em cálcio, como o leite (consumo sugerido: 0,5 litros por dia).
Uma chávena deste equivale a dois iogurtes ou 30 gramas de queijo flamengo

• Balanço correcto
Moderar consumo de alimentos gordos e fritos, preferir peixes e aves, limitar alimentos açucarados, preferir cereais completos e consumir e variar hortaliças

• Alfredo Maia

As crianças portuguesas estão mais gordas e a culpa é da televisão...

Quanto custa ser gordo?
Obesidade. Em Portugal passou a ser considerada doença crónica - as doenças associadas ao excesso de peso podem ser responsáveis por dez a 15 por cento dos custos de saúde. E estão aí planos para combater e prevenir este problema.

Estudos vários indicam que na população portuguesa adulta existe uma prevalência do excesso de peso e da obesidade na ordem dos 40 por cento, sendo mais elevada nas pessoas com mais de 55 anos e nas de escolaridade e classe social mais baixas. O excesso de peso nos portugueses está a tomar tais proporções que a Direcção-Geral de Saúde (DGS) passou a considerar, desde finais de Março, a obesidade «como doença crónica, que pode atingir homens e mulheres de todas as etnias e de todas as idades e requer estratégias de longa duração para a sua prevenção e gestão efectivas». Dados do Instituto Nacional de Saúde mostram que em Portugal o total de custos com a obesidade atinge os 235 milhões de euros. O peso destes números levou a que as instâncias nacionais de saúde começassem a encarar a obesidade como um problema de saúde pública e a tomar medidas para a combater e, sobretudo, prevenir. Em Janeiro foi aprovado o Programa Nacional de Intervenção sobre Determinantes da Saúde Relacionados com os Estilos de Vida e desde 2003 que um grupo de peritos coordenado pelo médico Galvão Teles trabalha na elaboração do Programa Nacional de Combate à Obesidade. Como forma de chamar a atenção dos portugueses para este problema foi instituído o Dia Nacional de Combate à Obesidade, em Maio.

Obesidade Infantil

O III Congresso de Nutrição e Alimentação reunido em Aveiro no princípio de Junho debruçou-se sobre este problema, com especial destaque para a obesidade infantil, um fenómeno que está a atingir grandes proporções nas sociedades contemporâneas. Calcula-se que, entre as crianças de todo o mundo, onze por cento sofram de obesidade. Um estudo realizado pelo Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra em 2001, encontrou, numa amostra de 4511 crianças entre os sete e os nove anos, valores de 31,56 por cento de prevalência da obesidade na infância. De acordo com os especialistas reunidos no Congresso de Aveiro, este problema só pode ser combatido através de esforços de promoção de uma alimentação saudável complementada com actividade física, que devem começar na educação. Alexandra Bento, presidente da direcção da Associação Portuguesa dos Nutricionistas, considera que a solução «passa por uma acção concertada entre governo, sociedade civil e estruturas privadas representativas dos diferentes sectores de actividade». O Congresso apresentou algumas medidas de combate, como a colocação de um nutricionista nas autarquias para supervisionar os serviços de restauração, os alimentos disponíveis nas cantinas e bares e a actividade física nas escolas e na comunidade (medida prevista no Plano Nacional de Saúde); a regulamentação da publicidade/promoção de alimentos de baixa densidade nutricional e alta densidade energética, promoção da cooperação de serviços que envolvam nutrição, exercício e comportamento; discussão com as famílias sobre a importância da alimentação saudável, actividade física e da limitação do consumo de televisão a valores inferiores a uma hora por dia.

Pouco Exercício

Uma das grandes causas da obesidade é a falta de exercício físico. Os padrões e níveis de actividade física nacionais indicam uma população eminentemente sedentária - apenas 9,9 por cento da população faz exercício físico e, destes, a maioria apenas uma ou duas vezes por semana - nomeadamente as mulheres e os mais velhos, os de menor escolaridade e de classe social mais baixa. Dados da DGS indicam também que os benefícios na saúde das pessoas obesas, conseguidos através da perda intencional de peso, principalmente se mantida a longo prazo, podem manifestar-se na saúde em geral, na melhoria da qualidade de vida, na redução da mortalidade e na melhoria das doenças crónicas, com destaque para a diabetes tipo 2. A DGS indica ainda que «a obesidade está ligada a uma grande mortalidade e morbilidade, sendo que as complicações associadas podem ser responsáveis por dez a 15 por cento dos custos de saúde». Razões mais do que suficientes para que o «combate à obesidade justifique uma actuação planeada e organizada, ao longo de todo o sistema de saúde, pelo que está inscrita como especial preocupação no Plano Nacional de Saúde».

A Adexo pediu ontem ao Ministério da Saúde que reconheça a obesidade como um problema de saúde público...

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A Organização Mundial de Saúde (OMS) vai lançar uma campanha global contra a obesidade, um problema que afecta cada vez mais pessoas e é tido como responsável pelo aumento de algumas doenças crónicas mortais no mundo...

A Organização Mundial de Saúde (OMS) vai lançar uma campanha global contra a obesidade, um problema que afecta cada vez mais pessoas e é tido como responsável pelo aumento de algumas doenças crónicas mortais no mundo.

A "Estratégia Global para a Dieta, Actividade Física e Saúde" foi aprovada durante a assembléia geral das Nações Unidas. O Plano foi negociado durante os últimos dois anos e faz um apelo aos governos dos 192 Estados-Membros da OMS para que, em conjunto com as assossiações de consumidores, dêem uma maior atenção à publicidade alimentar e controlo de rotulagem.

A estratégia passa também por uma sensibilização junto às pessoas para que limitem o consumo de gorduras, açúcar e sal. Os especialistas acreditam que o aumento das doenças cardiovasculares, diabetes e alguns cancros devem-se a ingestão excessiva destes produtos.

Neste ponto o acordo foi dificultado pela posição assumida por países como o Brasil e Cuba, líderes na produção mundial de açúcar. De acordo com a Federação Mundial do Coração. 1100 milhões de adultos e 22 milhões de crianças com menos de 5 anos são obesos. Em Portugal, o Dia Nacional de Luta Contar a Obesidade foi assinalado ontem pela primeira vez, numa iniciativa da Associação dos Doentes Obesos e Ex-Obesos de Portugal, a ADEXO.

É a epidemia do século XXI, especialistas acusam governos do mundo inteiro de ignorar a doença...

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Um tratamento para que seja verdadeiramente eficaz requer tempo e motivação. As alterações comportamentais, tais como, dieta e aumento da actividade física são armas indispensáveis, mas pode ter necessidade de juntar medicamento que ajudará a controlar a quantidade de alimentos que come, sempre prescrito pelo seu médico ou nos casos mais graves a cirurgia. Só assim garante perda de peso e a sua manutenção.

A resposta está nas graves complicações de saúde a que uma pessoa com peso a mais está exposta. Emagrecer gradualmente e com objectivos realistas através de aconselhamento médico, só traz benefícios para a sua saúde.

- Reduz a taxa de mortalidade

- Reduz o risco de doenças associadas
diabetes, hipertensão, dislipidemia, cancro.

- Melhora a sua qualidade de vida e bem estar geral.