


TAXA SOBRE A”FAST FOOD”
Ouvimos o Sr. Bastonário da Ordem dos Médicos propor publicamente uma taxa sobre a “fast food” como alternativa a mais cortes no sector da saúde.
Aguardámos que o senhor Bastonário reformulasse a sua decisão e viesse a público esclarecer esta taxa mas tal não aconteceu, mais uma vez, nos confrontamos com um médico a fazer um diagnóstico incorrecto e a colocar o dedo na ferida errada.
É tão fácil Sr. Bastonário comparar comida com tabaco. É estar a comparar um bem essencial à vida com uma droga. Deste modo, não podemos deixar de manifestar publicamente o nosso repúdio e esclarecer alguns pontos que não passaram pela análise, mais uma vez discriminatória do gordo, que em público fez.
Convém lembrar que mais de 80% das pessoas com obesidade no nosso país estão desempregadas e o pouco dinheiro que auferem possivelmente só chega para comida tipo “fast food”.
É também conveniente não esquecer que as cadeias de “fast food” foram autorizadas a vir para Portugal pelos nossos governos, estando devidamente licenciadas, cumprem as normas de higiene e vendem alimentos que ingeridos pontualmente não são perigosos, matam a fome a muita gente embora todos saibamos que, ingeridos regularmente, tem efeitos perniciosos pois apresentam alto teor de gordura, sal e açúcar.
Este tipo de alimentação é uma solução que, em vários países onde não se consegue melhorar o nível de vida, garante alimento à população. Faz lembrar o tempo de Salazar e o “slogan” protegido pelo Estado Novo que dizia “beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses”.
Com a crise e consequente falta de dinheiro, o consumo destes produtos vai aumentar e necessariamente a obesidade e as doenças acessórias vão disparar.
Poderemos pensar numa taxa Sr. Bastonário mas sempre com duas condições claras e colocando o dedo na ferida certa:
1. A taxa é aplicada aos produtores de “fast food”, congelando os preços de venda ao público;
2. O produto desta taxa não se destina ao financiamento do SNS, mas sim a um investimento em duas formas, a saber:
· 2/3 no tratamento concreto da obesidade que como sabemos reduz fortemente os problemas de doenças acessórias ao nível da diabetes, cardiologia, respiratórias articulares e oncológicas entre outras;
· 1/3 na prevenção.
Com estas condições, a ADEXO estaria ao lado da sua proposta.
Ora, aplicar uma taxa a quem pouco tem para comer é descabido e em alguns casos, desumano.
Carlos de Oliveira
Presidente da Direcção